Qua, 19 de Dezembro de 2007 01:00
Muita gente se pergunta quem é essa gente que bate de porta em porta, como os antigos vendedores de enciclopédia, aborda homens e mulheres nas ruas, telefona para domicílios, consultórios médicos, empresas etc. E sempre com a mesma argumentação: precisam da opinião da pessoa contatada. Quase todo mundo os vê com desconfiança, especialmente quando perguntam por itens de conforto, como geladeira, televisão, rádio, carro. Muitos perguntam e 100% pensam: "o que tem a ver uma coisa com a outra?". Dificil para quem não conhece a Pesquisa de Mercado e Opinião entender as razões destas perguntas, mas a obtenção de respostas honestas é fundamental para o entendimento de comportamentos e hábitos de consumidores. Mas isso é assunto para um outro artigo.Na verdade, resolvi escrever esta matéria apenas para reforçar minha admiração por estes profissionais. E porque agora? Porque esta semana, no Rio de Janeiro e em outras cidades brasileiras, o calor tem chegado a limites quase insuportáveis e estão eles lá, debaixo do sol escaldante, batendo em cada porta, fazendo seu trabalho. E não só. Penso que este é apenas um fator momentâneo, já que as estações mudam e - claro - as temperaturas também. Mas a violência nas grandes cidades avança de forma avalassadora, atingindo de modo crucial o trabalho de entrevistadores brasileiros E, por conta desta mesma violência, a desconfiança das pessoas aumenta, refletindo diretamente no trabalho dos entrevistadores que enfrentam extremas dificuldades para transmitir alguma segurança aos entrevistados e convencê-los a responder uma pesquisa. Mas eles seguem. Com Coragem. Aliás, coragem é o ponto mais forte desta legião de cidadãos, pais e mães de família, que - como todo trabalhador brasileiro - enfrenta desigualdades e injustiças, mas segue dia a dia, porta a porta, ouvindo pessoas, mesmo que o que mais escutem seja a palavra não.
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