| Pierre Verger - Viajante dos Mundos |
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| Vida e Obra | |
| Escrito por Raí T. Rio | |
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Pierre Verger viajou pelo mundo por 14 anos consecutivos (Entre dezembro de 1932 e agosto de 1946), vivendo exclusivamente da fotografia, negociando suas fotos com jornais, agências, centros de pesquisa, fotografava e empresas e até fazendo trocas com sua arte - fotografava em favor de transporte e assim prosseguia sua jornada.A capital francesa acabou tornando-se apenas uma base, um lugar onde revia os melhores amigos - os surrealistas ligados a Prévert e os antropólogos do Museu do Trocadero. Em 1946, Verger desembarcou na Bahia e, a partir deste momento, sua vida não seria mais a mesma em todos os sentidos. Na época, a Europa vivia o pós-guerra, enquanto em Salvador o mundo era calmo e lento.
Seduzido pela hospitalidade e riqueza cultural que encontrou na cidade, o francês acabou se rendendo as maravilhas da Bahia e instalou-se na sua capital. A exemplo do que fazia em todos os lugares onde esteve, preferia a companhia do povo, os lugares mais simples e Salvador lhe oferecia fartamente esta opção. Os negros, a grande maioria na cidade, chamou a sua atenção e, além de personagens das suas fotos, tornaram-se seus amigos, cujas vidas Verger foi buscando conhecer em seus pequenos detalhes. Quando descobriu o candomblé, acreditou ter encontrado a fonte da vitalidade do povo baiano e se tornou um estudioso do culto aos orixás. Esse interesse pela religiosidade de origem africana lhe rendeu uma bolsa para estudar rituais na África, para onde partiu em 1948.
Na África, no ano de 1953, Verger viveu o seu renascimento, recebendo o nome de Fatumbi ("nascido de novo graças ao Ifá"). A intimidade com a religião, que tinha começado na Bahia, facilitou o seu contato com sacerdotes, autoridades e acabou sendo iniciado como babalaô - um adivinho através do jogo do Ifá, com acesso às tradições orais dos iorubás. Além da iniciação religiosa, Verger começou nessa mesma época um novo ofício: pesquisador. Mas, inicialmente, sua pesquisa ateve-se apenas ao registro fotográfico. Porém , O Instituto Francês da África Negra (IFAN) não se contentou com os dois mil negativos apresentados como resultado da sua pesquisa fotográfica e solicitou que ele escrevesse sobre o que tinha visto. A contragosto, Verger obedeceu. Depois, acabou encantando-se com o universo da pesquisa e não parou mais de se interessar pelo mundo maravilhoso dos orixás. A história, os costumes e principalmente a religião praticada pelos povos iorubás e seus descendentes, na África Ocidental e na Bahia, passaram a ser os temas centrais de suas pesquisas e sua obra. Ele passou a viver como um mensageiro entre esses dois lugares: transportando informações, mensagens, objetos e presentes. Como colaborador e pesquisador visitante de várias universidades, conseguiu ir transformando suas pesquisas em artigos, comunicações, livros.
Entre 1932 e 1979, Verger produziu 62.000 fotografias sobre temas como as pessoas, os lugares, os sons e as festas populares e os deuses, claro.Em 1960, comprou a casa da Vila América, em Salvador. No final dos anos 70, ele parou de fotografar e fez suas últimas viagens de pesquisa à África. No ano de 1988, Verger criou a Fundação Pierre Verger (FPV), da qual era doador, mantenedor e presidente, assumindo assim a transformação da sua própria casa num centro de pesquisa, cuja preocupação maior era transmitir e tornar vivo o seu trabalho artístico e humano.
Pierre Fatumbi Verger faleceu em fevereiro de 1996, mas deixou um legado rico e importante sobre a cultura negra, as religiões africanas e, sobretudo, sobre os mundos dos deuses e o mundo do homem.
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