| Arte dos Celtas - Beleza e Magia |
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| História da Arte | |||
| Escrito por Raí T. Rio | |||
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Os instrumentos celtas são todos bem característicos. A vasilha de prata conhecida como o Caldeirão Gundestrup, por exemplo, constitui um dos mais enigmáticos vestígios do mundo celta. Decorado em alto relevo, apresenta cenas que oferecem uma visão dos mitos e da religião celta, embora seu significado preciso permaneça oculto. As figuras representadas eram originariamente revestidas com folhas de ouro e tinham olhos de cristal azul e vermelho.
![]() Quanto à sociedade céltica, esta era costumeiramente organizada através de clãs, onde várias famílias dividiam as terras férteis, mas preservavam a propriedade das cabeças de gado. A hierarquia mais ampla da sociedade céltica era composta pela classe nobiliárquica, os homens livres, servos, artesãos e escravos. Além disso, os Druidas (sacerdotes celtas - maior referência popular sobre os celtas) detinham grande prestígio e influência. Falando cronologicamente, a arte celta está dividida em dois períodos: Hallstat e La Tène (cerca de 500 a.c.). O desabrocho artístico dos celtas ocorreu justamente no período lateniano, onde o estilo celta se espalhou e se integrou com as expressões artísticas da época. Este povo tinha grande preferência por temas ligados a natureza: árvores, flores, animais e seres sobrenaturais. Estes temas eram muito mais comuns que figuras humanas, embora estes também existissem na arte céltica. Mas os celtas sempre estiveram muito ligados à religião, e assim, como quase todas as expressões de sua cultura, a música também estava intimamente relacionada a temas de cunho religioso, de modo que os músicos eram – em sua maioria – ligados a classe sacerdotal dos Druidas.
O tocar dos instrumentos era considerado uma manifestação do mundo dos espíritos. Sendo assim, o músico era um ser privilegiado, pois suas faculdades lhes permitiam captar pequenas manifestações do" Outro Mundo", e desta forma, ele traduzia aquilo que absorveu para a música. Precisamente por este motivo, é comum a temática musical dos celtas parecer bem ligada aquilo que eles mais respeitavam: a Natureza.
Um bosque, a brisa, a alvorada, o outono – ou qualquer outra estação – enfim, cada pequeno movimento da natureza carrega um som, e era função do músico senti-lo e traduzi-lo em música. Entretanto, com o advento da cristandade no mundo céltico, toda esta conotação entre religião e música, de certa forma, se perdeu. Porém, os motivos ligados a natureza se mantiveram vivos, e até hoje estão presentes no trabalho de cantores e instrumentistas contemporâneos. E também no misticismo do mundo.
![]() OS DRUIDAS - A ARTE CELTA E O MISTICISMO
A visão tradicional mostra os druidas como sacerdotes, mas isso na verdade não é comprovado pelos textos clássicos, que os apresentam na qualidade de filósofos, mesmo com o fato de que presidiam cerimônias religiosas. Se levarmos em conta que o druidismo era uma religião natural, baseada no animismo, e não uma religião revelada (como o Islamismo ou o Cristianismo, por exemplo), os druidas assumem então o papel de diretores espirituais do ritual, conduzindo a realização dos ritos, e não de mediadores entre os deuses e o homem. Ao contrário da idéia corrente no mundo pós-Iluminismo sobre a linearidade da vida (nascemos, envelhecemos e morremos), no druidismo, como entre outras culturas da Antigüidade, a vida é um círculo ou uma espiral. O druidismo procurava o equilíbrio, ligando a vida pessoal à fonte espiritual presente na natureza e ,dessa forma ,reconhecia oito períodos ao longo do ano sendo quatro solares (masculinos) e quatro lunares (femininos), marcados por cerimônias religiosas especiais. A sabedoria druídica era composta de um vasto número de versos aprendidos de cor e, conta a história, que eram necessários cerca de 20 anos para que se completasse o ciclo de estudos dos aspirantes a druidas. Pode ter havido um centro de ensino druídico na ilha de Anglesey (Ynis Mon, em galês), mas nada se sabe sobre o que era ensinado ali. De sua literatura oral (cânticos sagrados, fórmulas mágicas e encantamentos) nada restou - sequer em tradução. Mesmo as lendas consideradas druídicas chegaram até nós através do prisma da interpretação cristã, o que torna difícil determinar o sentido original das mesmas.As tradições que ainda existem do que poderiam ter sido suas práticas religiosas, foram conservadas no meio rural e incluem a observância do Halloween(Samhaim), rituais de colheita, plantas e animais que trazem boa ou má sorte e coisas do gênero.
Assim, uma grande tradição artística de um dos povos mais importantes da Europa, confunde-se com misticismo e magia, levando uma parte importante da história da arte para os domínios populares, mais uma vez pelas mãos do encantamento e da beleza.
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