Arte dos Celtas - Beleza e Magia
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História da Arte
Escrito por Raí T. Rio   

Cruz Celta na IrlandaA arte dos Celtas, povos antigos da Europa Central e Ocidental que, no período pré-romano, habitavam grande parte da Europa, como a Inglaterra e Gália, principalmente, mas também em  algumas partes de Portugal , Espanha, Alemanha e República Tcheca, era constituída basicamente em trabalhos de metal, um campo no qual mostraram uma impressionate habilidade. Os celtas integram uma das mais ricas civilizações do mundo antigo. As origens desta civilização remontam ao processo de desenvolvimento da Idade do Ferro, quando estes teriam sido os responsáveis pela introdução do manuseio do ferro e da metalurgia no continente europeu. De fato, o reconhecimento do povo celta pode se definir tanto pela partilha de uma cultura material específica, quanto pelo uso da língua céltica. Mas, na verdade, a arte celta foi influenciada pelos povos circunvizinhos, como os gregos, etruscos, persas e até mesmo os romanos. Nem por isso a arte celta deixou de ter um espaço especial na história da arte, já que é considerada, atualmente, a primeira contribuição não-mediterrânea à arte Européia. A arte céltica foi importante pelo fato de terem desenvolvido um estilo próprio,  opondo-se ao classicismo de Roma e da Grécia. Em outras palavras, os celtas anteciparam em vários séculos as correntes artísticas que propunham inovar a arte tida como oficial. Os celtas ornavam objetos de uso comum ao seu povo, como armas, armaduras, canecas e jarras, mas faziam também algumas jóias, trabalhando principalmente em bronze e ouro,  empregando sofisticadas técnicas de incrustação. Os motivos vinham de diversas fontes, mas foram transformados pela criatividade celta, que fazia farto uso de  fortes desenhos geométricos e espirais, muitas vezes combinados com formas animais estilizadas em elementos abstratos. As figuras humanas eram raras e normalmente representadas de maneira bastante abstrata.

Caldeirão Gundestrup

Os instrumentos celtas são todos bem característicos. A vasilha de prata conhecida como o Caldeirão Gundestrup, por exemplo, constitui um dos mais enigmáticos vestígios do mundo celta. Decorado em alto  relevo, apresenta cenas que oferecem uma visão dos mitos e da religião celta, embora seu significado preciso permaneça oculto. As figuras representadas eram originariamente revestidas com folhas de ouro e tinham olhos de cristal azul e vermelho.
Detalhe do Caldeirão Gundestrup
Quanto à sociedade céltica, esta era costumeiramente organizada através de clãs, onde várias famílias dividiam as terras férteis, mas preservavam a propriedade das cabeças de gado. A hierarquia mais ampla da sociedade céltica era composta pela classe nobiliárquica, os homens livres, servos, artesãos e escravos. Além disso, os Druidas (sacerdotes celtas - maior referência popular sobre os celtas) detinham grande prestígio e influência. Falando cronologicamente, a arte celta está dividida em dois períodos: Hallstat e La Tène (cerca de 500 a.c.). O desabrocho artístico dos celtas ocorreu justamente no período lateniano, onde o estilo celta se espalhou e se integrou com as expressões artísticas da época. Este povo tinha grande preferência por temas ligados a natureza: árvores, flores, animais e seres sobrenaturais. Estes temas eram muito mais comuns que figuras humanas, embora estes também existissem na arte céltica. Mas os celtas sempre estiveram muito ligados à religião, e assim, como quase todas as expressões de sua cultura, a música também estava intimamente relacionada a temas de cunho religioso, de modo que os músicos eram – em sua maioria – ligados a classe sacerdotal dos Druidas.
O tocar dos instrumentos era considerado uma manifestação do mundo dos espíritos. Sendo assim, o músico era um ser privilegiado, pois suas faculdades lhes permitiam captar pequenas manifestações do" Outro Mundo", e desta forma, ele traduzia aquilo que absorveu para a música. Precisamente por este motivo, é comum a temática musical dos celtas parecer bem ligada aquilo que eles mais respeitavam: a Natureza.
Um bosque, a brisa, a alvorada, o outono – ou qualquer outra estação – enfim, cada pequeno movimento da natureza carrega um som, e era função do músico senti-lo e traduzi-lo em música. Entretanto, com o advento da cristandade no mundo céltico, toda esta conotação entre religião e música, de certa forma, se perdeu.  Porém, os  motivos ligados a natureza  se mantiveram vivos, e até hoje estão presentes no trabalho de cantores e instrumentistas contemporâneos. E também no misticismo do mundo.
Druidas

OS DRUIDAS - A ARTE CELTA E O MISTICISMO

Druídas - Símbolo da Arte dos CeltasA visão tradicional mostra os druidas como sacerdotes, mas isso na verdade não é comprovado pelos textos clássicos, que os apresentam na qualidade de filósofos, mesmo com o fato de que presidiam cerimônias religiosas.  Se levarmos em conta que o druidismo era uma religião natural, baseada no animismo, e não uma religião revelada (como o Islamismo ou o Cristianismo, por exemplo), os druidas assumem então o papel de diretores espirituais do ritual, conduzindo a realização dos ritos, e não de mediadores entre os deuses e o homem. Ao contrário da idéia corrente no mundo pós-Iluminismo sobre a linearidade da vida (nascemos, envelhecemos e morremos), no druidismo, como entre outras culturas da Antigüidade, a vida é um círculo ou uma espiral. O druidismo procurava o equilíbrio, ligando a vida pessoal à fonte espiritual presente na natureza e ,dessa forma ,reconhecia oito períodos ao longo do ano sendo quatro solares (masculinos) e quatro lunares (femininos), marcados por cerimônias religiosas especiais.
DruídasA sabedoria druídica era composta de um vasto número de versos aprendidos de cor e, conta a história, que eram necessários cerca de 20 anos para que se completasse o ciclo de estudos dos aspirantes a druidas. Pode ter havido um centro de ensino druídico na ilha de Anglesey (Ynis Mon, em galês), mas nada se sabe sobre o que era ensinado ali. De sua literatura oral (cânticos sagrados, fórmulas mágicas e encantamentos) nada restou - sequer em tradução. Mesmo as lendas consideradas druídicas chegaram até nós através do prisma da interpretação cristã, o que torna difícil determinar o sentido original das mesmas.
As tradições que ainda existem do que poderiam ter sido suas práticas religiosas, foram conservadas no meio rural e incluem a observância do Halloween(Samhaim), rituais de colheita, plantas e animais que trazem boa ou má sorte e coisas do gênero.
Assim, uma grande tradição artística de um dos povos mais importantes da Europa, confunde-se com misticismo e magia, levando uma parte importante da história da arte para os domínios populares, mais uma vez pelas mãos do encantamento e da beleza.
 
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