Os Orixás do Candomblé - Parte I
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Arte das Culturas - Mitologia/Arte das Culturas
Escrito por Raí T. Rio   
ImageOs orixás são entidades divinas conhecidas em alguns cultos religiosos africanos, e que foram trazidos para o Brasil com a vinda dos negros escravos desenvolvendo-se aqui de maneira própria. Estas divindades são seres intermediários entre o Deus Supremo e o mundo terrestre, o nosso mundo. O Deus Supremo é o princípio criador, conhecido como Olorum ou Olumdumaré. Eles também são identificados com os elementos da natureza, de forma que existem orixás da água, do fogo, da terra e do ar, como ocorre, por exemplo, com os signos astrológicos.
Alguns pesquisadores afirmam que, na África, eram conhecidos cerca de 600 divindades, mas, quando trazidos para o Brasil, transformaram-se em apenas cerca de 50, dos quais 16 seriam conhecidos no candomblé brasileiro. Por tudo que se sabe, o culto aos orixás começou no Brasil com a vinda das primeiras levas de negros escravizados, na Bahia e Pernambuco, a partir de 1780, vindos principalmente do Sudão, com os Iorubá; da Nigéria, com os Nagô, Ijêcha e Egbá; e grupos menores do Daomé, como Gege-Ewe e Fon, ou da Costa do Ouro, com os Fanti e Axanti.
ImageSegundo estudiosos, a predominância desses cultos na Bahia deveu-se ao grande número de Gege (ou Jeje) e Nagô no Estado. A confusão com relação ao número exato de divindades existentes no culto é atribuída, geralmente, ao fato de não haver qualquer registro escrito sobre eles, seguindo a tradição africana de transmissão oral de informações, de geração a geração. Também torna mais difícil estabelecer números reais, o fato dos cultos terem sofrido muitas alterações depois de introduzidos no Brasil.
Anteriormente, alguns historiadores afirmavam que o candomblé seria um sincretismo religioso – a combinação de dois ou mais sistemas religiosos, combinação efetuada com tal intensidade que os dois sistemas deixam de existir para o surgimento de um terceiro – no caso entre o culto aos orixás e o catolicismo. Mas, atualmente, a maioria dos estudiosos entende que o candomblé, apesar das transformações, manteve-se fiel às origens africanas. 
ImageO caso de alguns orixás serem identificados com santos da igreja católica deve-se ao fato que os negros escravos eram proibidos de realizar seus rituais e, para disfarçar e continuar mantendo suas tradições, “vestiam-nos” com roupas cristãs.
Apesar de existir uma exigência da Igreja para que todos os escravos fossem batizados e recebessem uma educação apropriada que os levassem para a religião católica - uma catequese de fato, sabe-se que esta determinação jamais foi seguida à risca, de modo que o candomblé continuou a existir.
Em todo o Brasil, ainda ocorrem estas associações, mas os conhecedores mais profundos da questão afirmam que os santos católicos não têm qualquer função dentro do candomblé. Entre as associações mais conhecidas, temos: Omulu, orixá da peste e da varíola, com São Roque e/ou São Lázaro; Oxumaré, que é representado pela serpente, foi identificado com São Bartolomeu; Ossaim, o orixá das folhas, com São Francisco, devido ao seu amor à natureza; Iansã, orixá dos ventos e relâmpagos, com Santa Bárbara; Oxum, com Santa Luzia; Iemanjá, com Nossa Senhora da Conceição e assim por diante, variando, claro, de região para região.
Seja como for, todos esses fatores modificaram o culto original – alguns mais, outros menos. Além do fato de, originalmente, o culto encontrar-se espalhado entre várias pequenas nações e tribos africanas, com costumes, culturas e idiomas diferentes, de modo que um mesmo orixá poderia ter chegado ao Brasil com nomes diversos
ImageUm bom exemplo das diferenças existentes entre os cultos brasileiros e os originais africanos é mostrado pelos historiadores através do culto a Oxóssi, originalmente um orixá dos reis de Ketu, região que foi invadida em 1789 pelo povo Daomé. Muitos dos que foram feitos escravos nessa oportunidade vieram para o Brasil, trazendo com eles o culto a Oxóssi, que existe (fortemente) no Brasil até hoje. No entanto, Ketu foi arrasada um século depois e o culto a Oxóssi praticamente desapareceu na África.
E é assim que existem diferenças entre os cultos da Bahia, do Maranhão, do Rio de Janeiro e do norte e do sul brasileiro. Mas o costume é entender-se que a tradição dos Iorubas é que domina o cenário dos culto aos orixás no Brasil.
Uma associação é frequentemente levantada entre os cultos dos orixás do candomblé africano e o panteão de deuses gregos, o que traz uma característica que afasta a religião africana da religião cristã ocidental que existia no Brasil. Os deuses africanos, assim como os gregos, não estão divididos em compartimentos rígidos entre o bem e o mal absolutos, como ocorre com a oposição entre o santo e o demoníaco cristão. Os orixás apresentam características de personalidade muito próximas, ou mesmo exatamente iguais às humanas, revelando tanto seus pontos fortes quanto seu lado fraco, seus acertos e seus erros, qualidades que compartilham com seus filhos na Terra.

CONTINUA...
 
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